segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Aprendi a dizer adeus.

Aprendi a deixar as mágoas pra trás e saber ver o lado bom da convivência.
Aprendi a lembrar das brincadeiras infantis e das rodas de violão.
Dos apelidos bobos, dos elogios sem fundamento.
Aprendi a guardar cada pedacinho, a sentir um amor, uma ternura, uma saudade profunda que nada acalma.
Aprendi que nessas horas, na dor do parto, a ausência é doce, é quase como se não existisse.
Aprendi a respeitar a figura, o nome, a personalidade, o homem.
Aprendi a dizer te amo com uma fé que eu desconhecia, que eu até desacreditava.
Aprendi que no fundo sobram tantas coisas que não cabem em palavras e as gavetas cheias não preenchem em nada.
Aprendi que quando as coisas são abruptas alguns rastros são deixados sem que muitos percebam. E aquela aliança na pia do banheiro vai ficar pendurada no meu pescoço.
Aprendi que as perdas engrandecem, tristemente.
E que o choro não se torna tão rotineiro quando o coração é afagado.
E que a dor de não ter dito algumas coisas e feito tantas outras ecoa por dentro como se a sala fosse grande e vazia -era grande na verdade, mas sempre tinha alguém.
Aprendi que as pessoas vem e vão sem nem tomar ciência disto, de que um dia terão que ir e deixar um monte de planos.
Talvez fôssemos passar alguns reveillons em Paris, talvez voltássemos àquela praia virgem no interior, eu irei e voltarei, se assim for possível.
Mas o manto do mar envolveu-o na partida, tragado pela mesma praia que tanto amou e a ida se fez bela, embora mórbida, triste, bela.
Eu disse adeus.

5 comentários:

Mayana disse...

Ima to sem palabras... semplesmente perfeito!
amo vc muuuuuuitooooooo e estou aqui vc sabe!
bjoooooo

Aryane souza disse...

O holocausto esconde toda uma beleza... esta é inexplicavel.
te amo

ludmila disse...

é tão estranho a falta que uma pessoa pode nos causar...trazendo tantas mudanças em nos mesmos...

te amo e to contigo sempre!

Tácio Pimenta disse...

femininamente sensíveis, como eu disse...

eu sei muito pouco sobre partidas, apesar de sempre ir embora; mas sei muito sobre saudades e, via de regra, para mim, as saudades insaciáveis são como vinhos... o tempo as torna tão doces, suaves e etéreas que se esquece como era não senti-las.

não te amo. mas acho que já te quero bem, menina...

=*

lenny mayran disse...

Não sei o que dizer... Realmente.
Só queria deixar registrado que li e reli.