As coisas poderiam ter ocorrido de outra forma, podíamos ter brigado menos, nos amado mais, eu podia ter passado por cima de minhas feridas e orgulhos e você podia ter jogado aquela droga de vida fora (acabou sendo assim), e não estou me referindo à vida em si, mas ao que você vinha fazendo dela.
Eu já não sei se conheci o amor e quando penso em você só me sobra um profundo e extremo vazio, vacuidade mesmo, daquela que nem mesmo a boas lembranças conseguem preencher. A saudade me passa longe. Além do vazio ainda tem uma dor, sabe? Uma dor em saber que de alguma forma algo poderia ter sido diferente.
Não sei se isso é lamento.
Não sei dar nome ao que sinto e o que me volta à memória quando penso em você é só essa sensação, podíamos ter feito diferente.
Sinto culpa, desespero, como pude deixar a relação ruir assim dessa forma? De um jeito que não tem volta? Não podemos mais sentar à mesa e jogar na cara um do outro o quanto nos odiamos e amamos, sente a proximidade dos sentimentos? Odeio tantas coisas em ti que não saberia listar, mas ao mesmo tempo te amo, talvez não com tanto afinco como seria se as coisas tivessem dado certo, é amor, só que ele não me desperta tanto quanto o que não agrada, o meu amor por ti não me deixou tantas marcas.
Acho ainda que o que está mais marcado é o fato de eu não ter feito nada para reverter o quadro, simplemente me sentei em frente a ele e aguardei pelo desfecho.
Ainda não tinham me ensinado a pintar.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Aprendi a dizer adeus.
Aprendi a deixar as mágoas pra trás e saber ver o lado bom da convivência.
Aprendi a lembrar das brincadeiras infantis e das rodas de violão.
Dos apelidos bobos, dos elogios sem fundamento.
Aprendi a guardar cada pedacinho, a sentir um amor, uma ternura, uma saudade profunda que nada acalma.
Aprendi que nessas horas, na dor do parto, a ausência é doce, é quase como se não existisse.
Aprendi a respeitar a figura, o nome, a personalidade, o homem.
Aprendi a dizer te amo com uma fé que eu desconhecia, que eu até desacreditava.
Aprendi que no fundo sobram tantas coisas que não cabem em palavras e as gavetas cheias não preenchem em nada.
Aprendi que quando as coisas são abruptas alguns rastros são deixados sem que muitos percebam. E aquela aliança na pia do banheiro vai ficar pendurada no meu pescoço.
Aprendi que as perdas engrandecem, tristemente.
E que o choro não se torna tão rotineiro quando o coração é afagado.
E que a dor de não ter dito algumas coisas e feito tantas outras ecoa por dentro como se a sala fosse grande e vazia -era grande na verdade, mas sempre tinha alguém.
Aprendi que as pessoas vem e vão sem nem tomar ciência disto, de que um dia terão que ir e deixar um monte de planos.
Talvez fôssemos passar alguns reveillons em Paris, talvez voltássemos àquela praia virgem no interior, eu irei e voltarei, se assim for possível.
Mas o manto do mar envolveu-o na partida, tragado pela mesma praia que tanto amou e a ida se fez bela, embora mórbida, triste, bela.
Eu disse adeus.
Aprendi a lembrar das brincadeiras infantis e das rodas de violão.
Dos apelidos bobos, dos elogios sem fundamento.
Aprendi a guardar cada pedacinho, a sentir um amor, uma ternura, uma saudade profunda que nada acalma.
Aprendi que nessas horas, na dor do parto, a ausência é doce, é quase como se não existisse.
Aprendi a respeitar a figura, o nome, a personalidade, o homem.
Aprendi a dizer te amo com uma fé que eu desconhecia, que eu até desacreditava.
Aprendi que no fundo sobram tantas coisas que não cabem em palavras e as gavetas cheias não preenchem em nada.
Aprendi que quando as coisas são abruptas alguns rastros são deixados sem que muitos percebam. E aquela aliança na pia do banheiro vai ficar pendurada no meu pescoço.
Aprendi que as perdas engrandecem, tristemente.
E que o choro não se torna tão rotineiro quando o coração é afagado.
E que a dor de não ter dito algumas coisas e feito tantas outras ecoa por dentro como se a sala fosse grande e vazia -era grande na verdade, mas sempre tinha alguém.
Aprendi que as pessoas vem e vão sem nem tomar ciência disto, de que um dia terão que ir e deixar um monte de planos.
Talvez fôssemos passar alguns reveillons em Paris, talvez voltássemos àquela praia virgem no interior, eu irei e voltarei, se assim for possível.
Mas o manto do mar envolveu-o na partida, tragado pela mesma praia que tanto amou e a ida se fez bela, embora mórbida, triste, bela.
Eu disse adeus.
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quarta-feira, 9 de abril de 2008
Tudo novo denovo
A gente assume novas manias, se apodera de novas coisas, toma outros rumos, compra outros rótulos, tudo muda, mas o sempre esteve lá dentro não sai nem que se queira. E acaba sendo muito simples enterrar memórias passadas, mesmo que boas, pra se abrir pro novo.
Mas o novo não preenche, pelo menos não tudo.
Sempre falta aquele pedacinho daquele alguem que te ensinou a amar, a estender a mão, aquele momento em que a felicidade teve plenitude e nada mais podia abalar tal sentimento. Aquele dia em que você chorou o quanto podia e não podia e aquele colo te fez tão bem. Aquela brisa leve e as nuvens se mexendo no céu ao seu sabor. Tudo é tão infantil, passa tão rápido, toca tão profundamente. Só não é efêmero, nunca é.
E nada ruim te toca.
Estão todos lá.
Aos amigos, que sempre retornam.
Mas o novo não preenche, pelo menos não tudo.
Sempre falta aquele pedacinho daquele alguem que te ensinou a amar, a estender a mão, aquele momento em que a felicidade teve plenitude e nada mais podia abalar tal sentimento. Aquele dia em que você chorou o quanto podia e não podia e aquele colo te fez tão bem. Aquela brisa leve e as nuvens se mexendo no céu ao seu sabor. Tudo é tão infantil, passa tão rápido, toca tão profundamente. Só não é efêmero, nunca é.
E nada ruim te toca.
Estão todos lá.
Aos amigos, que sempre retornam.
domingo, 30 de março de 2008
Três corações
Antes aqui o que imperava eram escritos de amor e obsessão, de um bem querer que não se tinha, mas esse sentimento me fugiu, está escondido por aí em ruelas que de vez em quando me encontram.
Agora quem impera é a saudade.
Saudades daquela gargalhada gostosa que dói a barriga, daquelas tardes de filmes insanos e tudo com pimenta, nosso picante tempero.
Saudades das vitrines que já nos conheciam, dos nossos desejos consumistas, das equações que não se resolviam.
Saudades dos conselhos bobos regados de céu e o vento forte que batia na piscina, das suas tentativas de me explicar a vida e suavizar qualquer sofrimento.
Saudades das noites em que sobravam coreografias, das músicas bobas que dançávamos, das voltas pra casa desesperadas, dos taxistas que aceitavam nossos trocados.
Saudades das incontáveis vezes em que passamos pelo fondue prometendo prová-lo juntas e ainda não tivemos tempo de fazê-lo, porque pra mim toda manhã era contigo, virou costume te ver todo dia.
Saudades das mensagens inspiradas de madrugada, em que me chamavas de moranguinhos flutuantes do Martini, iodo bromado, bromo iodado e afins.
Saudades das confusões alheias, que insistiam em nos chamar de irmãs e acabou sendo mesmo, porque tudo em nós se torna similar. Pra nós o tempo era tudo e soubemos fazer dele o mais perfeito possível.
Saudades das confusões das nossas cabeças, que quase sempre fogem do que queremos ou acham que queremos outras coisas, mas no fim tudo se resolve e você continua a ser a princesa, intocável, inabalável, forte, linda. Pra nós o tempo construiu nosso maior tesouro, nós mesmas.
Saudades do seu abraço bobo que me resgatava de qualquer canto ruim, da tua voz que mesmo chata virou música pros meus ouvidos. Pra nós o tempo era curto, nem sabíamos, mas foi grandioso, incomparável.
Saudades de tudo e mais um pouco.
E o meu império se constrói.
Tô aqui só esperando sua decadência.
Mate a saudade.
*Texto oferecido a Jé, Lud e Ary.
**Uma nem tão longe, uma bem pertinho, uma mais distante. Mas os corações sempre unidos.
***Pra saber de cada uma é só contar cada parágrafo das sequencias, o primeiro sempre fala de Jéssica, o segundo de Ludmila, o terceiro Aryane.
Agora quem impera é a saudade.
Saudades daquela gargalhada gostosa que dói a barriga, daquelas tardes de filmes insanos e tudo com pimenta, nosso picante tempero.
Saudades das vitrines que já nos conheciam, dos nossos desejos consumistas, das equações que não se resolviam.
Saudades dos conselhos bobos regados de céu e o vento forte que batia na piscina, das suas tentativas de me explicar a vida e suavizar qualquer sofrimento.
Saudades das noites em que sobravam coreografias, das músicas bobas que dançávamos, das voltas pra casa desesperadas, dos taxistas que aceitavam nossos trocados.
Saudades das incontáveis vezes em que passamos pelo fondue prometendo prová-lo juntas e ainda não tivemos tempo de fazê-lo, porque pra mim toda manhã era contigo, virou costume te ver todo dia.
Saudades das mensagens inspiradas de madrugada, em que me chamavas de moranguinhos flutuantes do Martini, iodo bromado, bromo iodado e afins.
Saudades das confusões alheias, que insistiam em nos chamar de irmãs e acabou sendo mesmo, porque tudo em nós se torna similar. Pra nós o tempo era tudo e soubemos fazer dele o mais perfeito possível.
Saudades das confusões das nossas cabeças, que quase sempre fogem do que queremos ou acham que queremos outras coisas, mas no fim tudo se resolve e você continua a ser a princesa, intocável, inabalável, forte, linda. Pra nós o tempo construiu nosso maior tesouro, nós mesmas.
Saudades do seu abraço bobo que me resgatava de qualquer canto ruim, da tua voz que mesmo chata virou música pros meus ouvidos. Pra nós o tempo era curto, nem sabíamos, mas foi grandioso, incomparável.
Saudades de tudo e mais um pouco.
E o meu império se constrói.
Tô aqui só esperando sua decadência.
Mate a saudade.
*Texto oferecido a Jé, Lud e Ary.
**Uma nem tão longe, uma bem pertinho, uma mais distante. Mas os corações sempre unidos.
***Pra saber de cada uma é só contar cada parágrafo das sequencias, o primeiro sempre fala de Jéssica, o segundo de Ludmila, o terceiro Aryane.
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