As coisas poderiam ter ocorrido de outra forma, podíamos ter brigado menos, nos amado mais, eu podia ter passado por cima de minhas feridas e orgulhos e você podia ter jogado aquela droga de vida fora (acabou sendo assim), e não estou me referindo à vida em si, mas ao que você vinha fazendo dela.
Eu já não sei se conheci o amor e quando penso em você só me sobra um profundo e extremo vazio, vacuidade mesmo, daquela que nem mesmo a boas lembranças conseguem preencher. A saudade me passa longe. Além do vazio ainda tem uma dor, sabe? Uma dor em saber que de alguma forma algo poderia ter sido diferente.
Não sei se isso é lamento.
Não sei dar nome ao que sinto e o que me volta à memória quando penso em você é só essa sensação, podíamos ter feito diferente.
Sinto culpa, desespero, como pude deixar a relação ruir assim dessa forma? De um jeito que não tem volta? Não podemos mais sentar à mesa e jogar na cara um do outro o quanto nos odiamos e amamos, sente a proximidade dos sentimentos? Odeio tantas coisas em ti que não saberia listar, mas ao mesmo tempo te amo, talvez não com tanto afinco como seria se as coisas tivessem dado certo, é amor, só que ele não me desperta tanto quanto o que não agrada, o meu amor por ti não me deixou tantas marcas.
Acho ainda que o que está mais marcado é o fato de eu não ter feito nada para reverter o quadro, simplemente me sentei em frente a ele e aguardei pelo desfecho.
Ainda não tinham me ensinado a pintar.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Ano novo, vida nova.
É fato que todo ano milhões de coisas mudam, fazemos algumas tantas promessas, brincamos de inventar um futuro mais coerente. Mas mesmo que cada ano durasse mais que 365 (ou 6) dias as coisas mudariam, de qualquer forma.
Essa dita passagem, esse ritual de despedida de um ano para a entrada do outro, esse misticismo que surge próximo ao dia 31 de cada dezembro, isso, esse momento é que faz com que paremos pra pensar no que aconteceu, no que queríamos que acontecese e algumas vezes, de maneira triste, nos faz ver que as coisas poderiam ter sido bem diferentes, que alguns sofrimentos foram desnecessários, que alguns abraços ficaram soltos no pensamento e que podiam ter havido muito mais sorrisos.
Daí surge aquele ímpeto, aquele desejo de mudança, "o ano que vem será melhor"...
E acaba sendo a mesma coisa do anterior, salvo aquelas mudanças de que falei no começo, aquelas que acontecem, acabam acontecendo, não porque é outro ano, mas porque tem que acontecer mesmo.
A verdade é que deveríamos ser movidos por sentimentos de mundança todos os dias, não porque o que já existe não é bom, mas pelo fato de que pedras brutas precisam ser lapidadas e sempre há algo a ser melhorado.
Pelo fato de que a vida deve ser aproveitada mesmo em cada momento, do mais sofisticado ao mais simples, do mais entediante ao mais estimulante. Pelo fato de que cada dia passado é um dia a menos em nossas vidas e que cada instante disperdiçado vai fazer muita falta quando não pudermos mais desfrutar dele.
Então o ano novo está aí, à espera de todas as suas promessas, pronto pra te devorar no primeiro vacilo.
E a melhor aposta é não apostar. Deixar as coisas acontecerem, se deixar levar pelas coisas nobres e felizes que te permeiam, o que te constrói aí dentro.
Siga ao sabor do mar...
Essa dita passagem, esse ritual de despedida de um ano para a entrada do outro, esse misticismo que surge próximo ao dia 31 de cada dezembro, isso, esse momento é que faz com que paremos pra pensar no que aconteceu, no que queríamos que acontecese e algumas vezes, de maneira triste, nos faz ver que as coisas poderiam ter sido bem diferentes, que alguns sofrimentos foram desnecessários, que alguns abraços ficaram soltos no pensamento e que podiam ter havido muito mais sorrisos.
Daí surge aquele ímpeto, aquele desejo de mudança, "o ano que vem será melhor"...
E acaba sendo a mesma coisa do anterior, salvo aquelas mudanças de que falei no começo, aquelas que acontecem, acabam acontecendo, não porque é outro ano, mas porque tem que acontecer mesmo.
A verdade é que deveríamos ser movidos por sentimentos de mundança todos os dias, não porque o que já existe não é bom, mas pelo fato de que pedras brutas precisam ser lapidadas e sempre há algo a ser melhorado.
Pelo fato de que a vida deve ser aproveitada mesmo em cada momento, do mais sofisticado ao mais simples, do mais entediante ao mais estimulante. Pelo fato de que cada dia passado é um dia a menos em nossas vidas e que cada instante disperdiçado vai fazer muita falta quando não pudermos mais desfrutar dele.
Então o ano novo está aí, à espera de todas as suas promessas, pronto pra te devorar no primeiro vacilo.
E a melhor aposta é não apostar. Deixar as coisas acontecerem, se deixar levar pelas coisas nobres e felizes que te permeiam, o que te constrói aí dentro.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Aprendi a dizer adeus.
Aprendi a deixar as mágoas pra trás e saber ver o lado bom da convivência.
Aprendi a lembrar das brincadeiras infantis e das rodas de violão.
Dos apelidos bobos, dos elogios sem fundamento.
Aprendi a guardar cada pedacinho, a sentir um amor, uma ternura, uma saudade profunda que nada acalma.
Aprendi que nessas horas, na dor do parto, a ausência é doce, é quase como se não existisse.
Aprendi a respeitar a figura, o nome, a personalidade, o homem.
Aprendi a dizer te amo com uma fé que eu desconhecia, que eu até desacreditava.
Aprendi que no fundo sobram tantas coisas que não cabem em palavras e as gavetas cheias não preenchem em nada.
Aprendi que quando as coisas são abruptas alguns rastros são deixados sem que muitos percebam. E aquela aliança na pia do banheiro vai ficar pendurada no meu pescoço.
Aprendi que as perdas engrandecem, tristemente.
E que o choro não se torna tão rotineiro quando o coração é afagado.
E que a dor de não ter dito algumas coisas e feito tantas outras ecoa por dentro como se a sala fosse grande e vazia -era grande na verdade, mas sempre tinha alguém.
Aprendi que as pessoas vem e vão sem nem tomar ciência disto, de que um dia terão que ir e deixar um monte de planos.
Talvez fôssemos passar alguns reveillons em Paris, talvez voltássemos àquela praia virgem no interior, eu irei e voltarei, se assim for possível.
Mas o manto do mar envolveu-o na partida, tragado pela mesma praia que tanto amou e a ida se fez bela, embora mórbida, triste, bela.
Eu disse adeus.
Aprendi a lembrar das brincadeiras infantis e das rodas de violão.
Dos apelidos bobos, dos elogios sem fundamento.
Aprendi a guardar cada pedacinho, a sentir um amor, uma ternura, uma saudade profunda que nada acalma.
Aprendi que nessas horas, na dor do parto, a ausência é doce, é quase como se não existisse.
Aprendi a respeitar a figura, o nome, a personalidade, o homem.
Aprendi a dizer te amo com uma fé que eu desconhecia, que eu até desacreditava.
Aprendi que no fundo sobram tantas coisas que não cabem em palavras e as gavetas cheias não preenchem em nada.
Aprendi que quando as coisas são abruptas alguns rastros são deixados sem que muitos percebam. E aquela aliança na pia do banheiro vai ficar pendurada no meu pescoço.
Aprendi que as perdas engrandecem, tristemente.
E que o choro não se torna tão rotineiro quando o coração é afagado.
E que a dor de não ter dito algumas coisas e feito tantas outras ecoa por dentro como se a sala fosse grande e vazia -era grande na verdade, mas sempre tinha alguém.
Aprendi que as pessoas vem e vão sem nem tomar ciência disto, de que um dia terão que ir e deixar um monte de planos.
Talvez fôssemos passar alguns reveillons em Paris, talvez voltássemos àquela praia virgem no interior, eu irei e voltarei, se assim for possível.
Mas o manto do mar envolveu-o na partida, tragado pela mesma praia que tanto amou e a ida se fez bela, embora mórbida, triste, bela.
Eu disse adeus.
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Nada de ventos fortes.
Decidi que tenho medo de amar.
Tenho medo de sentir todas aquelas coisas e frios e calafrios.
Tenho medo de me jogar no abismo e me espatifar no chão, talvez eu não consiga juntar os cacos.
Eu tenho medo, medo mesmo.
Tenho medo de me permitir. Essa sensação de impotência ou de soberania sobre meus sentimentos é que me deixa assim, acoada.
E por saber que só sei lidar com isso de maneira extremista, prefiro não cair nos ventos mornos e doces de um novo grande amor.
Prefiro tentar nem lembrar como se manifesta.
Prefiro recolher minhas vontades e ter uma noite de sono válida.
Não quero mais platonismos.
Não quero mais presença declarada.
Não quero mais partilhar a alma.
Não quero.
Vou passo a passo encontrando uma linha reta que me leve direto ao ponto, ao ponto de não-loucura.
E nessas caminhadas retilíneas vou "rodando" o mundo e recolhendo cada pedacinho do meu interesse. Sem , no entanto, provar algum.
Experienciar nem sempre é a saída.
Por enquanto é melhor calmo e coeso.
Tenho medo do furacão, porque ele me fascina e fascinada estou sem os pés no chão.
Não quero amor. Não quero a tormenta.
Quero só mais um cantinho onde guardar tudo o que vi.
Não sinto.
Por muito tempo espero me manter assim, livre de amar.
Porque a chama viva me amedronta e me entorpece.
E eu quero estar sóbria.
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
Ainda sim[...] Nem sei mais.
Hoje, depois de muito andar a esmo, retornei à nossa morada, amor. E te senti quase perto, quase em mim.
Algo não muito usual. Já te disse que tinha te perdido em tudo, em todos os lugares e coisas, que tu não estavas aqui, no meu ser, mas por alguns momentos pude sentir. Fui beijada pela mesma textura da tua boca, e todas aquelas cenas voltaram à tona, fui invadida pela antiga onda.
Tive vontade de me afogar naquele mar, embebedar meus pulmões daquela gota seca que foi te amar.
Eu não poderia. Sabe aquele gosto acre amor? De quem não foi quisto? É dele que eu sobrevivo, mas você não saberia como sê-lo. Sempre te quis, desde a primeira ânsia, antes de todo e qualquer sentido. Te quis sem ver, sem ouvir. Eu não tinha provado teu cheiro, teu gosto, teu timbre ainda não tinha me feito tremer como estremecem as entranhas de qualquer caixa sonora. Reverberei. Mas sem nada disso já eras meu.
E quando pude sentir tudo verdadeiro no meu falso mundo é que caí no abismo. Porque nem um pedaço teu que fosse me pertencia. E voltando ali, onde tudo começou e acabou, de certa forma percebi que o que eu tinha amado era um ideal, algo pelo qual eu não podia lutar. Amei o que eu queria que tu fosses. Já te disseram que não se muda ninguém? Eu não conseguiria te moldar.
Sabe aquele meu ideal, amor? Ele permanece, é talvez a única coisa que me faça pensar no amanhã.
Não te amo, amor. E ainda te amo mais que nunca.
Algo não muito usual. Já te disse que tinha te perdido em tudo, em todos os lugares e coisas, que tu não estavas aqui, no meu ser, mas por alguns momentos pude sentir. Fui beijada pela mesma textura da tua boca, e todas aquelas cenas voltaram à tona, fui invadida pela antiga onda.
Tive vontade de me afogar naquele mar, embebedar meus pulmões daquela gota seca que foi te amar.
Eu não poderia. Sabe aquele gosto acre amor? De quem não foi quisto? É dele que eu sobrevivo, mas você não saberia como sê-lo. Sempre te quis, desde a primeira ânsia, antes de todo e qualquer sentido. Te quis sem ver, sem ouvir. Eu não tinha provado teu cheiro, teu gosto, teu timbre ainda não tinha me feito tremer como estremecem as entranhas de qualquer caixa sonora. Reverberei. Mas sem nada disso já eras meu.
E quando pude sentir tudo verdadeiro no meu falso mundo é que caí no abismo. Porque nem um pedaço teu que fosse me pertencia. E voltando ali, onde tudo começou e acabou, de certa forma percebi que o que eu tinha amado era um ideal, algo pelo qual eu não podia lutar. Amei o que eu queria que tu fosses. Já te disseram que não se muda ninguém? Eu não conseguiria te moldar.
Sabe aquele meu ideal, amor? Ele permanece, é talvez a única coisa que me faça pensar no amanhã.
Não te amo, amor. E ainda te amo mais que nunca.
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domingo, 24 de agosto de 2008
Segui meu caminho em frente com firmeza, sem virar para trás para olhar o que já tinha vivido. A estrada parece aterrorizante quando não se sabe ao certo onde ela vai dar. Mesmo assim não vacilei, tinha que seguir para algum rumo, qualquer lugar que me levasse embora de onde eu tinha sido.
Nada mais me pertencia, nem os dias que haviam me abadonado, nem os que se seguiriam, éramos só eu e meu corpo limpo, lavado de sensações, minha pequena bolsa de prata, meus pés descalços no meio do tempo e meu pequeno diário desfolhando ao vento, entregando ao mundo tudo o que eu não queria mais, minhas antigas fotos e sorrisos, meus sentimentos mais íntimos, os sonhos que eu tinha escondido permaneceriam sem ser conhecidos. Rasguei cada folha como uma punhalda na alma, fragmentando tudo em papéis perfumados e envelhecidos. Não quis ser mais nada, nem viria a ser. Figura sem nome, andarilho, cidadão do mundo. Pode me chamar de solidão.
Nada mais me pertencia, nem os dias que haviam me abadonado, nem os que se seguiriam, éramos só eu e meu corpo limpo, lavado de sensações, minha pequena bolsa de prata, meus pés descalços no meio do tempo e meu pequeno diário desfolhando ao vento, entregando ao mundo tudo o que eu não queria mais, minhas antigas fotos e sorrisos, meus sentimentos mais íntimos, os sonhos que eu tinha escondido permaneceriam sem ser conhecidos. Rasguei cada folha como uma punhalda na alma, fragmentando tudo em papéis perfumados e envelhecidos. Não quis ser mais nada, nem viria a ser. Figura sem nome, andarilho, cidadão do mundo. Pode me chamar de solidão.
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Por Enquanto
Lembra daquela primeira vez que te vi passeando com alguns amigos na sorveteria, nossos olhares se cruzaram e como hipnose não consegui desviar meus olhos de você e aquele sorriso juvenil, aquele ar de boa moça queimada de sol nas férias de verão. Tudo mudou naquele fim de tarde, nada mais seria como antes.
Voltei pra casa tentando pensar como poderia te encontrar novamente, roubar o perfume do teu cabelo. Resolvi sair bem cedo no outro dia para ordenar os pensamentos, traçar uma estratégia, eis que me surge você, nós frente a frente, sem nenhum outro grupo de amigos que foram aproveitar as férias na praia. As palavras travaram e você infantilmente me perguntou se eu estava me sentindo bem. Como poderia me sentir diante daquilo senão nas nuvens. E eu te acompanhei até em casa. Não conversamos nada de útil, mas tudo era tão mágico que não precisaria ser mudado. Nos veríamos mais, a noite. Até hoje não descobri o que você fazia perdida nas esquinas enquanto eu pensava em te encontrar, perdida mesmo.
Depois daquela segunda noite, não saberia mais como seguir minha vida se não fosse contigo. Porque o teu, era o mais belo sorriso, teus olhos os mais cintilantes e teu beijo o mais arrebatador. Não precisava de mais nada para viver. Foram os melhores 15 dias da minha vida.
Correr atrás de ti na praia e te jogar contra as ondas era o meu projeto de vida, ainda mais se fosse para ouvir tua gargalhada singular. Mas o verão acabou, nada mudou, a vida seguiria sua rotina.
Tudo estava diferente [aqui dentro]. Eu até cheguei a pensar que seria pra sempre, que seguiríamos juntos até o fim e de alguma forma seguiríamos, carregando um no outro. Mas acaba. O verão acaba.
E agora eu fico aqui pensando em você, minhas vontades em você. Sei que estamos interligados de alguma forma, desde aquele primeiro momento, a primeira vez que cruzamos os olhares. Ninguém mudará o que ficou. Estamos bem quando pensamos um no outro. Eu sei que você ainda pensa em mim, não poderia ser diferente. Nosso amor de 15 dias que durou uma eternidade, durou o bastante pra fazer de nós não mais os mesmos, mas os dois enamorados, os dois amantes, o amor. O pra sempre acaba.
Tínhamos todos os motivos do mundo pra deixar tudo daquele jeito, sair como dois estranhos de uma bela história, guardar os momentos na lembrança, o amor explodindo no peito e seguir adiante. Nem desistir, nem tentar. Tanto faz, a pequena van já me levava de volta ao antigo mundo quando vi teu rosto pela última vez, você acenando da janela de algum outro automóvel. Estamos indo de volta pra casa. Com a certeza intrinseca de que nada mais seria igual. De que nenhum outro amor seria igual, de que nossas vidas tinham se desviado de qualquer plano anterior só porque tínhamos surgido um ao outro. Era preciso voltar.
E eu aqui no meio da estrada pensando em alguém. Só penso em você. Estamos bem.
Estamos indo de volta pra casa.
Ouvindo Por Enquanto (Renato Russo)
Interpretado por Cássia Eller
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
As coisas só mudam de importância
Acho que ultimamente tenho descoberto algumas coisas que por fim parecem só estranhas.
Pode ser que algumas infantilidades tenham me abandonado, que meu mundo esteja rotacionando em outros eixos, mas sempre acaba voltando àquele ponto em que faltava alguma coisa, aquela ação inacabada, aquele último adeus que não foi dado, as coisas que não me permiti dizer por medo.
O que antes era tédio agora é ânsia.
O que era presença eterna é só saudade.
A brincadeira tem se tornado algo sério.
Meus anos de escola agora parecem ter valido muito a pena, até meus passos não dados foram milimetrados ou tem algum sentido nesse momento.
Meu grande amor nunca vai deixar de ser meu grande amor. Podem até haver outros, mas vai ser ele que vai remexer tudo por dentro quando algumas coisas singulares acontecerem. Os outros também o farão com suas singularidades.
Tenho descoberto que as coisas mudam sim, mas permanecem. Ou permanecem sim, mas mudam, nem sei ao certo em que sequência.
Só sei que nunca deixam de ser importantes, como uma chama viva ou como uma lembrança boa.
Continuo apreciando o gosto de alguns venenos e eles a cada momento me parecem mais instigantes.
Cair do abismo já não parece tão doloroso.
Basta bater as asas e voar!
Pode ser que algumas infantilidades tenham me abandonado, que meu mundo esteja rotacionando em outros eixos, mas sempre acaba voltando àquele ponto em que faltava alguma coisa, aquela ação inacabada, aquele último adeus que não foi dado, as coisas que não me permiti dizer por medo.
O que antes era tédio agora é ânsia.
O que era presença eterna é só saudade.
A brincadeira tem se tornado algo sério.
Meus anos de escola agora parecem ter valido muito a pena, até meus passos não dados foram milimetrados ou tem algum sentido nesse momento.
Meu grande amor nunca vai deixar de ser meu grande amor. Podem até haver outros, mas vai ser ele que vai remexer tudo por dentro quando algumas coisas singulares acontecerem. Os outros também o farão com suas singularidades.
Tenho descoberto que as coisas mudam sim, mas permanecem. Ou permanecem sim, mas mudam, nem sei ao certo em que sequência.
Só sei que nunca deixam de ser importantes, como uma chama viva ou como uma lembrança boa.
Continuo apreciando o gosto de alguns venenos e eles a cada momento me parecem mais instigantes.
Cair do abismo já não parece tão doloroso.
Basta bater as asas e voar!
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domingo, 8 de junho de 2008
The Blowers Daughter
Então é assim do mesmo jeito que você sempre disse que ía ser.
A vida correndo fácil, sem amor, sem glórias, nada de heróis.
A gente acabou esquecendo de tudo, tudo o que planejamos naquelas tardes em que jogávamos os pensamentos leves ao sabor do vento.
Tudo não saiu do passado, nossas vontades, os desejos, os sonhos, o mundo claro que construímos pra nós, tudo passou como o vento. Nada resta, nada brilha, só pensamentos turvos que insistem em me lembrar, você não está aqui [do meu lado].
A história curta, os beijos roubados, as noites em claro, as palavras caladas. Não sobrou nada.
Esquecemos da brisa.
E é do jeito que você sempre quis e não dizia. Do mesmo jeito que você nunca lutou pra mudar. Aceitamos as derrotas de cabeça baixa e não insistimos. Talvez assim fosse mais fácil. Aceitar e calar, calar no peito a dor que quer explodir.
Talvez fosse melhor partir. Porque estando aqui, simplesmente não consigo tirar meus olhos de você. E me dói mais ainda saber que pra você pouco importa. Filha do vento.
Pra você tudo muda com a estação, pra você nada é real ou estável, você sempre se vai, filha do vento. E eu não consigo tirar os olhos de você.
Mas de nada adiantaria fugir disso, porque longe dos meus olhos só penso em você. A água está fria, ventania, meus sentidos estão congelados, meus olhos estão molhados, a pupila contraída e você não abandona meus pensamentos, minha obscessão.
Não podia esperar nada diferente, os ventos mudam, filha do vento e como eles você tinha que mudar, tinha que querer outros mundos, outras histórias, outros cabelos de quem roubar perfumes, mas não podia, não depois dos planos, das rotas traçadas.
E a vida aqui correndo fácil, sem amor, sem glórias, nada de heróis.
Só o céu escuro.
E você nunca abandona minha mente. Abandonam-me os anseios, as certezas, mas você nunca, não pára de passar pelo meu filtro de sonhos, pela minha casa vazia, pelo meu rosto cansado, passa e deixa tudo revirado, depois sai.
Não sobra nada. Meu desejo por você.
Não consigo parar de pensar.
A vida correndo fácil, sem amor, sem glórias, nada de heróis.
A gente acabou esquecendo de tudo, tudo o que planejamos naquelas tardes em que jogávamos os pensamentos leves ao sabor do vento.
Tudo não saiu do passado, nossas vontades, os desejos, os sonhos, o mundo claro que construímos pra nós, tudo passou como o vento. Nada resta, nada brilha, só pensamentos turvos que insistem em me lembrar, você não está aqui [do meu lado].
A história curta, os beijos roubados, as noites em claro, as palavras caladas. Não sobrou nada.
Esquecemos da brisa.
E é do jeito que você sempre quis e não dizia. Do mesmo jeito que você nunca lutou pra mudar. Aceitamos as derrotas de cabeça baixa e não insistimos. Talvez assim fosse mais fácil. Aceitar e calar, calar no peito a dor que quer explodir.
Talvez fosse melhor partir. Porque estando aqui, simplesmente não consigo tirar meus olhos de você. E me dói mais ainda saber que pra você pouco importa. Filha do vento.
Pra você tudo muda com a estação, pra você nada é real ou estável, você sempre se vai, filha do vento. E eu não consigo tirar os olhos de você.
Mas de nada adiantaria fugir disso, porque longe dos meus olhos só penso em você. A água está fria, ventania, meus sentidos estão congelados, meus olhos estão molhados, a pupila contraída e você não abandona meus pensamentos, minha obscessão.
Não podia esperar nada diferente, os ventos mudam, filha do vento e como eles você tinha que mudar, tinha que querer outros mundos, outras histórias, outros cabelos de quem roubar perfumes, mas não podia, não depois dos planos, das rotas traçadas.
E a vida aqui correndo fácil, sem amor, sem glórias, nada de heróis.
Só o céu escuro.
E você nunca abandona minha mente. Abandonam-me os anseios, as certezas, mas você nunca, não pára de passar pelo meu filtro de sonhos, pela minha casa vazia, pelo meu rosto cansado, passa e deixa tudo revirado, depois sai.
Não sobra nada. Meu desejo por você.
Não consigo parar de pensar.
Ouvindo The Blowers Daughter
Damien Rice.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Partes Perdidas
Nem precisava você fazer nada, bastava me olhar com aquele olhar e todos os meus medos e angustias estariam desfeitos, todos meus anseios estariam preenchidos e meus sentimentos não mais se controlariam. Estariam mesmo tão bambas as minhas pernas?
Nem sei, mas não precisaria me dizer belas palavras nem falar em alianças, porque meus braços já estariam laçados em teu pescoço e tu não poderias fugir dali nunca mais, nem seriam necessários beijos furtivos, porque já terias roubado mesmo todos os meus dias e minha alma estaria entregue a qualquer caminho que quisesses trilhar.
Não precisaria mais de sol, porque na chuva me recolheria em teus braços,e minhas revistinhas de adolescente uma vez me disseram que piscianas adoram corpos molhados, tempestade a céu aberto no meio da noite.
Eu não quereria outras músicas que não fossem as tuas, não quereria outra bebida que não fosse de teus fluidos, nem outro ar que não fosse o roubado de teus pulmões e viveríamos assim, um do outro, unidos por um único sopro de vida.
Não saberíamos de mais nada, nem olharíamos além do horizonte de nossos olhos, porque quando as partes perdidas se encontram não há como separar.
E não haveria falta nem sobra, só encaixe e a sensação de plenitude.
Todos as terças se formariam no mais belo acorde e nenhuma dissonancia seria ouvida, só aquele final em sensível que pede conclusão.
E depois de alguns trinados barrocos a melodia finalmente se finda na mais perfeita harmonia e sobra silêncio. O silêncio que diz tudo e abriga todas as coisas já não ditas. O silêncio que fecha tudo. Fecha a cortina e ascende as luzes.
A cena acabou.
Nem sei, mas não precisaria me dizer belas palavras nem falar em alianças, porque meus braços já estariam laçados em teu pescoço e tu não poderias fugir dali nunca mais, nem seriam necessários beijos furtivos, porque já terias roubado mesmo todos os meus dias e minha alma estaria entregue a qualquer caminho que quisesses trilhar.
Não precisaria mais de sol, porque na chuva me recolheria em teus braços,e minhas revistinhas de adolescente uma vez me disseram que piscianas adoram corpos molhados, tempestade a céu aberto no meio da noite.
Eu não quereria outras músicas que não fossem as tuas, não quereria outra bebida que não fosse de teus fluidos, nem outro ar que não fosse o roubado de teus pulmões e viveríamos assim, um do outro, unidos por um único sopro de vida.
Não saberíamos de mais nada, nem olharíamos além do horizonte de nossos olhos, porque quando as partes perdidas se encontram não há como separar.
E não haveria falta nem sobra, só encaixe e a sensação de plenitude.
Todos as terças se formariam no mais belo acorde e nenhuma dissonancia seria ouvida, só aquele final em sensível que pede conclusão.
E depois de alguns trinados barrocos a melodia finalmente se finda na mais perfeita harmonia e sobra silêncio. O silêncio que diz tudo e abriga todas as coisas já não ditas. O silêncio que fecha tudo. Fecha a cortina e ascende as luzes.
A cena acabou.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Fuga
Não sei ainda se foram anos ou dias, fato é que algumas lembranças se perderam em meio à tempestade e não há mais como
recuperá-las.
Abandonou-me o gosto daquela boca ausente, o sentido para o qual eu me dirigia, aquela luz, sempre a luz por onde caminhávamos.
Abandonou-me o gosto daquela boca ausente, o sentido para o qual eu me dirigia, aquela luz, sempre a luz por onde caminhávamos.
E tudo o que restou foi aquele cheiro acre. Como se nenhuma nuvem doce pudesse voltar a me envolver.
Não sei se foram anos, dias, momentos, lembranças. Sei apenas que se foram. Abandonaram-me assim como se não merecesse suas companhias. Privaram-me do adeus e partiram.
O que era bom já não volta.
Perdida entre o vazio desses dias frios...
Não sei se foram anos, dias, momentos, lembranças. Sei apenas que se foram. Abandonaram-me assim como se não merecesse suas companhias. Privaram-me do adeus e partiram.
O que era bom já não volta.
Perdida entre o vazio desses dias frios...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
E o vento passa e tudo passa com ele

Enquanto o meu mundo acaba aqui dentro as coisas permanecem as mesmas...
Os ventos continuam a correr lá fora, passar pelas delicadas folhas das mais suntuosas árvores
Levar angústias, solidões...
A vida continua a mesma. Em suma, os dias continuam a passar sem deixar nada. O mundo segue o mesmo trajeto ,talvez com mais algumas catástrofes climáticas e muito mais mortes, ou não... Sempre se morre, e isso pra todo mundo se tornou normal, nada mais choca...
E o vento continua levando tudo, polinizando flores...Consumindo dores...
Só não as minhas. Tempos que o vento não me toca e leva o que há de ruim, lava a alma...
Espero o vento...
Pedi ao vento pra trazer você aqui, pro meu peito...
Pedi ao vento pra trazer você pra mim...
Mas o vento vai levando tudo embora...
Os ventos continuam a correr lá fora, passar pelas delicadas folhas das mais suntuosas árvores
Levar angústias, solidões...
A vida continua a mesma. Em suma, os dias continuam a passar sem deixar nada. O mundo segue o mesmo trajeto ,talvez com mais algumas catástrofes climáticas e muito mais mortes, ou não... Sempre se morre, e isso pra todo mundo se tornou normal, nada mais choca...
E o vento continua levando tudo, polinizando flores...Consumindo dores...
Só não as minhas. Tempos que o vento não me toca e leva o que há de ruim, lava a alma...
Espero o vento...
Pedi ao vento pra trazer você aqui, pro meu peito...
Pedi ao vento pra trazer você pra mim...
Mas o vento vai levando tudo embora...
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