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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Vem

Vem amor, me diz com teus olhos calmos que vai dar tudo certo, que a vida vai dar certo e que nossos planos serão executados com louvor.
Vem amor, me acolhe em teus braços e me livra desse mundo traiçoeiro, que tudo que eu preciso é do teu abraço, do teu aconchego, do teu puro amor.
Vem amado, me salva de tudo no torpor do teu beijo, arranca meu chão de mim e não deixa que ele retorne, é tão lindo flutuar.
Vem meu amante, me toma com tudo o que pode, me faz sentir o arrepio do teu corpo quando vai de encontro ao meu, me ama até não poder mais, até rodarem extasiadas as pupilas.
Vem amor, que em ti que encontro vida, é de ti que sinto tudo, é tua a minha melhor parte, é contigo que sei ser melhor.
Vem amável, só tu sabes me fazer rir com a alma, só tu arrancas de mim aquela vontade morna de viver. Só tu sabes me fazer sentir que posso, sempre posso.
Vem amigo, que é contigo que exponho meu choro, minha loucura, meus desencantos, meu desejo.
Vem desejo, que és tu. Eu bambeando as penas. Vem, que antes não há nada, depois não háverá. És tu, a quem eu chamo, somente tu quem devo amar.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Por Enquanto


Lembra daquela primeira vez que te vi passeando com alguns amigos na sorveteria, nossos olhares se cruzaram e como hipnose não consegui desviar meus olhos de você e aquele sorriso juvenil, aquele ar de boa moça queimada de sol nas férias de verão. Tudo mudou naquele fim de tarde, nada mais seria como antes.

Voltei pra casa tentando pensar como poderia te encontrar novamente, roubar o perfume do teu cabelo. Resolvi sair bem cedo no outro dia para ordenar os pensamentos, traçar uma estratégia, eis que me surge você, nós frente a frente, sem nenhum outro grupo de amigos que foram aproveitar as férias na praia. As palavras travaram e você infantilmente me perguntou se eu estava me sentindo bem. Como poderia me sentir diante daquilo senão nas nuvens. E eu te acompanhei até em casa. Não conversamos nada de útil, mas tudo era tão mágico que não precisaria ser mudado. Nos veríamos mais, a noite. Até hoje não descobri o que você fazia perdida nas esquinas enquanto eu pensava em te encontrar, perdida mesmo.
Depois daquela segunda noite, não saberia mais como seguir minha vida se não fosse contigo. Porque o teu, era o mais belo sorriso, teus olhos os mais cintilantes e teu beijo o mais arrebatador. Não precisava de mais nada para viver. Foram os melhores 15 dias da minha vida.
Correr atrás de ti na praia e te jogar contra as ondas era o meu projeto de vida, ainda mais se fosse para ouvir tua gargalhada singular. Mas o verão acabou, nada mudou, a vida seguiria sua rotina.
Tudo estava diferente [aqui dentro]. Eu até cheguei a pensar que seria pra sempre, que seguiríamos juntos até o fim e de alguma forma seguiríamos, carregando um no outro. Mas acaba. O verão acaba.
E agora eu fico aqui pensando em você, minhas vontades em você. Sei que estamos interligados de alguma forma, desde aquele primeiro momento, a primeira vez que cruzamos os olhares. Ninguém mudará o que ficou. Estamos bem quando pensamos um no outro. Eu sei que você ainda pensa em mim, não poderia ser diferente. Nosso amor de 15 dias que durou uma eternidade, durou o bastante pra fazer de nós não mais os mesmos, mas os dois enamorados, os dois amantes, o amor. O pra sempre acaba.
Tínhamos todos os motivos do mundo pra deixar tudo daquele jeito, sair como dois estranhos de uma bela história, guardar os momentos na lembrança, o amor explodindo no peito e seguir adiante. Nem desistir, nem tentar. Tanto faz, a pequena van já me levava de volta ao antigo mundo quando vi teu rosto pela última vez, você acenando da janela de algum outro automóvel. Estamos indo de volta pra casa. Com a certeza intrinseca de que nada mais seria igual. De que nenhum outro amor seria igual, de que nossas vidas tinham se desviado de qualquer plano anterior só porque tínhamos surgido um ao outro. Era preciso voltar.
E eu aqui no meio da estrada pensando em alguém. Só penso em você. Estamos bem.
Estamos indo de volta pra casa.


Ouvindo Por Enquanto (Renato Russo)
Interpretado por Cássia Eller

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Um Eduardo e Mônica as avessas

Eu digo e afirmo
Existe razão nas coisas feitas pelo coração
Nem sei ao certo como eles se conheceram, mas diante de umas tantas diferenças acabou dando certo.
O menino engajado, fã das ciencias, política, das festas juvenis e amante de um bom chopp, sem jamais esquecer o suco de sapoti, um dia abriu os olhos e entendeu porque aquele riso estampado no rosto, um riso que nunca cessa, estava lá desde sempre e continuaria.
A menina princesinha, fã de bons livros e poesia, escritora nata, tão forte e tão frágil, acordou também e entendeu porque tudo tinha se configurado exatamente daquela maneira, para que um dia ele gritasse na esquina ao vento, "louca, louca, eu é que sou besta!", depois de tê-la beijado furtivamente.
O casal da rua Minerva, depois de alguns forrós mal dançados e uma alegria comprada, enfim selou, selaram. E foram dias felizes até ela se ver confusa e não querer machucar. Afastaram-se por tempos, depois foi o beijo na esquina. E não houve mais dúvidas. Estavam fadados a ser felizes enquanto durasse. Já dançavam a mesma música desde o jardim de infância.
O docinho de côco foi até presenteado com serenata ébria as alturas, na madrugada, com direito a rosas roubadas e muitos problemas com o porteiro.
Depois ele já podia cantar Cazuza com propriedade "Amor da minha vida daqui até a eternidade", destinos traçados na maternidade, um bouquet de rosas roubadas de um aniversário de 15 anos e todas as mancadas estavam perdoadas. Um pouco mais de riso.
E foram olhos tapados com casaco, show com tradução simultânea "Tem tantas coisas que eu gostaria de te dizer agora mas não sei como", "então fala", "nada, é a música!", romance exalado como flores na alvorada.
Tudo o que sobrava era um bem querer, um cuidado, um desejo de não perder, um medo de como agir -milimetricamente, um amor que se sobrepôs aos infortúnios do dia-a-dia.
Existiram sim, mancadas, atitudes mal tomadas, um caju que não estava no cajueiro. O amor venceu tudo.
Meu Eduardo e minha Mônica nem de longe se igualam aos do Renato, porque eu reafirmo. Existe razão.
Porque ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. Mas ela prefere crunch com nutella.
Existe razão.


Ao meu casal favorito.
Meus protagonistas do conto de fadas que não tem bruxa malvada nem lobo mal.
Sejam sempre felizes

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Campo de girassóis


Era tão criança que mal sabia da vida e todos seus sonhos se resumiam a algodões doce, passeios de cavalo, contos de fada.
Ainda não havia entendido que todas aquelas estórias só encontrava mesmo em livros belamente ilustrados e que suas princesas não tinham castelos, mas casebres e os príncipes não passavam de aproveitadores desdentados.
Toda aquela magia, em que se inspirava toda a noite pra viver não passava de farsa. Farsa, aquela mania de mostrar ao mundo o que não era, de sempre expor sorrisos, mesmo que nada fizesse sorrir, de imaginar futuros prósperos, mesmo que nada convergisse até ali...
Queria pouco, mas nada tinha, nem fatos, nem perspectivas. Só o campo de girassóis a deliciar-lhe da varanda.
Sempre se perdia por lá, ou se encontrava, nem sabia ao certo.
Ah! Os girassóis, aquele intenso amarelo que preenchia toda a paisagem, ragava tudo com aquela luz radiante. Os girassóis que apontavam sempre pra irradiação de calor.
E nada mais era tão frio.
Se imaginar não tira pedaço ainda lembrava daquele menino torto a quem jurara tanto amor, o menino dos cabelos de girassol, dos olhos de pôr-do-sol. E naquelas tardes quentes em que só sobravam cores ela pensava forte nele, como se por instantes pudessem se unir metafísicamente.
E nada mais parecia afetar, só restavam algodões doces, cavalos, contos de fada. Sumiam todos os casebres e príncipes desdentados, alguém pagara um tratamento dentário a eles.
E ela seguia protagonista, no cume do morro, onde se constroem aquelas cenas de filmes antigos e romanticos, quando os casais saem de extremos diferentes e vão um ao encontro do outro, como se nada mais importasse na vida até apartarem-se as bocas.A menina era assim mesmo, criança.
Quando a noite caia abandonava o campo e seguia pra casa. Dormir com as doces lembranças dos contos que inventara. Com os doces beijos do menino que a abandonara. Com o breve pico nas pernas que aquela planta deixara. E com o bobo sorriso estampado que aquele momento causara.