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sábado, 15 de novembro de 2008

Mais um clichê!

Quem sabe de mim?Talvez minha mãe que vive em mim desde o primeiro momento, do gozo à divisão de células, do crescer da barriga até a dor do parto, do primeiro aos dezoito anos.Talvez meus amigos, que arrancaram de mim sorrisos e confissões, que dividiram comigo as novidades da puberdade, minha menarca, meu primeiro beijo, minhas noites em claro falando besteiras.Talvez nem eu saiba de mim mesma, visto que ainda estou naquela busca do que virei a ser, do que realmente espero, do que realmente quero, hoje prefiro salgado, amanhã quero doce.
Já ouvi de tudo um pouco, já sofri um bocado, acho que amei mais que poderia, até já nem ser amor, já usei roupas das quais jamais usaria, já achei graça de coisas que não são nem um pouco engraçadas, mas o arrependimento nem bate na minha porta.Vale a pena, vale sim. Sempre se tem como aprender.
E no fim de tudo ninguém sabe quem se esconde atrás desse riso frouxo, dessa loucura incontida, dessa alegria sem motivo e dessa tristeza que me abate assim de repente.Ninguém sabe, nem saberá.Sou só eu e mais um emaranhado de coisas tolas e sem sentido, mas sou eu, assim sem descrição, sem rótulos, sem conceitos pré-concebidos, sem paredes pra sonhar, sem limites pra alcançar.
Sou só mais aquela menina.
A menina que amadureceu tão cedo e esqueceu uma parte da infancia por aí.Pode me chamar pra discutir a alma humana ou pra brincar de roda.Estou pronta pros dois.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Por Enquanto


Lembra daquela primeira vez que te vi passeando com alguns amigos na sorveteria, nossos olhares se cruzaram e como hipnose não consegui desviar meus olhos de você e aquele sorriso juvenil, aquele ar de boa moça queimada de sol nas férias de verão. Tudo mudou naquele fim de tarde, nada mais seria como antes.

Voltei pra casa tentando pensar como poderia te encontrar novamente, roubar o perfume do teu cabelo. Resolvi sair bem cedo no outro dia para ordenar os pensamentos, traçar uma estratégia, eis que me surge você, nós frente a frente, sem nenhum outro grupo de amigos que foram aproveitar as férias na praia. As palavras travaram e você infantilmente me perguntou se eu estava me sentindo bem. Como poderia me sentir diante daquilo senão nas nuvens. E eu te acompanhei até em casa. Não conversamos nada de útil, mas tudo era tão mágico que não precisaria ser mudado. Nos veríamos mais, a noite. Até hoje não descobri o que você fazia perdida nas esquinas enquanto eu pensava em te encontrar, perdida mesmo.
Depois daquela segunda noite, não saberia mais como seguir minha vida se não fosse contigo. Porque o teu, era o mais belo sorriso, teus olhos os mais cintilantes e teu beijo o mais arrebatador. Não precisava de mais nada para viver. Foram os melhores 15 dias da minha vida.
Correr atrás de ti na praia e te jogar contra as ondas era o meu projeto de vida, ainda mais se fosse para ouvir tua gargalhada singular. Mas o verão acabou, nada mudou, a vida seguiria sua rotina.
Tudo estava diferente [aqui dentro]. Eu até cheguei a pensar que seria pra sempre, que seguiríamos juntos até o fim e de alguma forma seguiríamos, carregando um no outro. Mas acaba. O verão acaba.
E agora eu fico aqui pensando em você, minhas vontades em você. Sei que estamos interligados de alguma forma, desde aquele primeiro momento, a primeira vez que cruzamos os olhares. Ninguém mudará o que ficou. Estamos bem quando pensamos um no outro. Eu sei que você ainda pensa em mim, não poderia ser diferente. Nosso amor de 15 dias que durou uma eternidade, durou o bastante pra fazer de nós não mais os mesmos, mas os dois enamorados, os dois amantes, o amor. O pra sempre acaba.
Tínhamos todos os motivos do mundo pra deixar tudo daquele jeito, sair como dois estranhos de uma bela história, guardar os momentos na lembrança, o amor explodindo no peito e seguir adiante. Nem desistir, nem tentar. Tanto faz, a pequena van já me levava de volta ao antigo mundo quando vi teu rosto pela última vez, você acenando da janela de algum outro automóvel. Estamos indo de volta pra casa. Com a certeza intrinseca de que nada mais seria igual. De que nenhum outro amor seria igual, de que nossas vidas tinham se desviado de qualquer plano anterior só porque tínhamos surgido um ao outro. Era preciso voltar.
E eu aqui no meio da estrada pensando em alguém. Só penso em você. Estamos bem.
Estamos indo de volta pra casa.


Ouvindo Por Enquanto (Renato Russo)
Interpretado por Cássia Eller

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Um Eduardo e Mônica as avessas

Eu digo e afirmo
Existe razão nas coisas feitas pelo coração
Nem sei ao certo como eles se conheceram, mas diante de umas tantas diferenças acabou dando certo.
O menino engajado, fã das ciencias, política, das festas juvenis e amante de um bom chopp, sem jamais esquecer o suco de sapoti, um dia abriu os olhos e entendeu porque aquele riso estampado no rosto, um riso que nunca cessa, estava lá desde sempre e continuaria.
A menina princesinha, fã de bons livros e poesia, escritora nata, tão forte e tão frágil, acordou também e entendeu porque tudo tinha se configurado exatamente daquela maneira, para que um dia ele gritasse na esquina ao vento, "louca, louca, eu é que sou besta!", depois de tê-la beijado furtivamente.
O casal da rua Minerva, depois de alguns forrós mal dançados e uma alegria comprada, enfim selou, selaram. E foram dias felizes até ela se ver confusa e não querer machucar. Afastaram-se por tempos, depois foi o beijo na esquina. E não houve mais dúvidas. Estavam fadados a ser felizes enquanto durasse. Já dançavam a mesma música desde o jardim de infância.
O docinho de côco foi até presenteado com serenata ébria as alturas, na madrugada, com direito a rosas roubadas e muitos problemas com o porteiro.
Depois ele já podia cantar Cazuza com propriedade "Amor da minha vida daqui até a eternidade", destinos traçados na maternidade, um bouquet de rosas roubadas de um aniversário de 15 anos e todas as mancadas estavam perdoadas. Um pouco mais de riso.
E foram olhos tapados com casaco, show com tradução simultânea "Tem tantas coisas que eu gostaria de te dizer agora mas não sei como", "então fala", "nada, é a música!", romance exalado como flores na alvorada.
Tudo o que sobrava era um bem querer, um cuidado, um desejo de não perder, um medo de como agir -milimetricamente, um amor que se sobrepôs aos infortúnios do dia-a-dia.
Existiram sim, mancadas, atitudes mal tomadas, um caju que não estava no cajueiro. O amor venceu tudo.
Meu Eduardo e minha Mônica nem de longe se igualam aos do Renato, porque eu reafirmo. Existe razão.
Porque ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. Mas ela prefere crunch com nutella.
Existe razão.


Ao meu casal favorito.
Meus protagonistas do conto de fadas que não tem bruxa malvada nem lobo mal.
Sejam sempre felizes

sábado, 5 de janeiro de 2008

Rebeldia Findada

Ah, a juventude acabou.
Passou assim sem que eu percebesse, partiu, fugiu.
Voou para outras bandas, bem longe daqui, escorreu entre os dedos e não sobrou rastro para que eu corresse em busca dela, deixou-me sem perspectivas de retorno, foi-se e fim.
Fim daqueles dias em que o sol me banhava e só.
Fim daquelas rodas de conversa tola, risos altos, ininterruptos, onde qualquer coisa era motivo pra graça, onde o que não importava era o tempo, mas a intensidade.
Fim daquele vento sorrateiro que rouba tudo e bagunça o cabelo, bate no rosto e nos rasga em rebeldia.
Fim da música alta, do " Não tô nem aí pra quem quer dormir, a vida é agora! " , fim das saídas inconsequentes, da ressaca na segunda, das recapitulações de cenas no domingo ao meio dia.
Fim dos beijos ardentes, da dancinha colado, dos banhos de piscina de madrugada.
Fim de parte da alegria.

A juventude não volta.
Os anos só passam e passam.
Restando lembranças.


Ninguém vive de sentimentos passados.
Resta então recuperar um pouco do que se foi, mas de outra forma. Bom aproveitar a vida em cada brilhosa fase.
Ainda bem que essa aí de cima, essa que deixa mais frutos...
Bom...Tá só começando!