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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sobre amores que não passam

As coisas poderiam ter ocorrido de outra forma, podíamos ter brigado menos, nos amado mais, eu podia ter passado por cima de minhas feridas e orgulhos e você podia ter jogado aquela droga de vida fora (acabou sendo assim), e não estou me referindo à vida em si, mas ao que você vinha fazendo dela.
Eu já não sei se conheci o amor e quando penso em você só me sobra um profundo e extremo vazio, vacuidade mesmo, daquela que nem mesmo a boas lembranças conseguem preencher. A saudade me passa longe. Além do vazio ainda tem uma dor, sabe? Uma dor em saber que de alguma forma algo poderia ter sido diferente.
Não sei se isso é lamento.
Não sei dar nome ao que sinto e o que me volta à memória quando penso em você é só essa sensação, podíamos ter feito diferente.
Sinto culpa, desespero, como pude deixar a relação ruir assim dessa forma? De um jeito que não tem volta? Não podemos mais sentar à mesa e jogar na cara um do outro o quanto nos odiamos e amamos, sente a proximidade dos sentimentos? Odeio tantas coisas em ti que não saberia listar, mas ao mesmo tempo te amo, talvez não com tanto afinco como seria se as coisas tivessem dado certo, é amor, só que ele não me desperta tanto quanto o que não agrada, o meu amor por ti não me deixou tantas marcas.
Acho ainda que o que está mais marcado é o fato de eu não ter feito nada para reverter o quadro, simplemente me sentei em frente a ele e aguardei pelo desfecho.
Ainda não tinham me ensinado a pintar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Nada de ventos fortes.



Decidi que tenho medo de amar.

Tenho medo de sentir todas aquelas coisas e frios e calafrios.
Tenho medo de me jogar no abismo e me espatifar no chão, talvez eu não consiga juntar os cacos.
Eu tenho medo, medo mesmo.
Tenho medo de me permitir. Essa sensação de impotência ou de soberania sobre meus sentimentos é que me deixa assim, acoada.
E por saber que só sei lidar com isso de maneira extremista, prefiro não cair nos ventos mornos e doces de um novo grande amor.
Prefiro tentar nem lembrar como se manifesta.
Prefiro recolher minhas vontades e ter uma noite de sono válida.
Não quero mais platonismos.
Não quero mais presença declarada.
Não quero mais partilhar a alma.
Não quero.
Vou passo a passo encontrando uma linha reta que me leve direto ao ponto, ao ponto de não-loucura.
E nessas caminhadas retilíneas vou "rodando" o mundo e recolhendo cada pedacinho do meu interesse. Sem , no entanto, provar algum.
Experienciar nem sempre é a saída.
Por enquanto é melhor calmo e coeso.
Tenho medo do furacão, porque ele me fascina e fascinada estou sem os pés no chão.
Não quero amor. Não quero a tormenta.
Quero só mais um cantinho onde guardar tudo o que vi.
Não sinto.
Por muito tempo espero me manter assim, livre de amar.
Porque a chama viva me amedronta e me entorpece.




E eu quero estar sóbria.

domingo, 24 de agosto de 2008

Segui meu caminho em frente com firmeza, sem virar para trás para olhar o que já tinha vivido. A estrada parece aterrorizante quando não se sabe ao certo onde ela vai dar. Mesmo assim não vacilei, tinha que seguir para algum rumo, qualquer lugar que me levasse embora de onde eu tinha sido.
Nada mais me pertencia, nem os dias que haviam me abadonado, nem os que se seguiriam, éramos só eu e meu corpo limpo, lavado de sensações, minha pequena bolsa de prata, meus pés descalços no meio do tempo e meu pequeno diário desfolhando ao vento, entregando ao mundo tudo o que eu não queria mais, minhas antigas fotos e sorrisos, meus sentimentos mais íntimos, os sonhos que eu tinha escondido permaneceriam sem ser conhecidos. Rasguei cada folha como uma punhalda na alma, fragmentando tudo em papéis perfumados e envelhecidos. Não quis ser mais nada, nem viria a ser. Figura sem nome, andarilho, cidadão do mundo. Pode me chamar de solidão.

sábado, 2 de agosto de 2008

13 minutos

E no ápice da dor construo meu cárcere, vou por ali conjugando meus verbos mais temidos, mas que tão erroneamente dão sentido ao que sobrou de mim. Não sei mais por onde seguir, por quais abismos devo me jogar, só sei do sentido doce que tinha a vida e que transformou-se nesse mar de tormento. Não mais amo e só amo. Virou cólera. Sorrio quando devo, quando reclusa estou sem expressões. Se muito falo é só tentando calar as coisas tristes que aqui se abrigam. E se pareço alegria, só pareço. Lá no fundo do meu poço de mágoas não tenho nada além delas. Talvez um pouco de uma tola esperança que nunca avivará. Prossigo casca, oca de coloridos, cheia de vazios e alguns trocados que me tiram do marasmo. Desaquieto. Mas o frio ainda arde aqui dentro.

domingo, 8 de junho de 2008

The Blowers Daughter

Então é assim do mesmo jeito que você sempre disse que ía ser.
A vida correndo fácil, sem amor, sem glórias, nada de heróis.
A gente acabou esquecendo de tudo, tudo o que planejamos naquelas tardes em que jogávamos os pensamentos leves ao sabor do vento.
Tudo não saiu do passado, nossas vontades, os desejos, os sonhos, o mundo claro que construímos pra nós, tudo passou como o vento. Nada resta, nada brilha, só pensamentos turvos que insistem em me lembrar, você não está aqui [do meu lado].
A história curta, os beijos roubados, as noites em claro, as palavras caladas. Não sobrou nada.
Esquecemos da brisa.
E é do jeito que você sempre quis e não dizia. Do mesmo jeito que você nunca lutou pra mudar. Aceitamos as derrotas de cabeça baixa e não insistimos. Talvez assim fosse mais fácil. Aceitar e calar, calar no peito a dor que quer explodir.
Talvez fosse melhor partir. Porque estando aqui, simplesmente não consigo tirar meus olhos de você. E me dói mais ainda saber que pra você pouco importa. Filha do vento.
Pra você tudo muda com a estação, pra você nada é real ou estável, você sempre se vai, filha do vento. E eu não consigo tirar os olhos de você.
Mas de nada adiantaria fugir disso, porque longe dos meus olhos só penso em você. A água está fria, ventania, meus sentidos estão congelados, meus olhos estão molhados, a pupila contraída e você não abandona meus pensamentos, minha obscessão.
Não podia esperar nada diferente, os ventos mudam, filha do vento e como eles você tinha que mudar, tinha que querer outros mundos, outras histórias, outros cabelos de quem roubar perfumes, mas não podia, não depois dos planos, das rotas traçadas.
E a vida aqui correndo fácil, sem amor, sem glórias, nada de heróis.
Só o céu escuro.
E você nunca abandona minha mente. Abandonam-me os anseios, as certezas, mas você nunca, não pára de passar pelo meu filtro de sonhos, pela minha casa vazia, pelo meu rosto cansado, passa e deixa tudo revirado, depois sai.
Não sobra nada. Meu desejo por você.
Não consigo parar de pensar.


Ouvindo The Blowers Daughter
Damien Rice.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Porque não existe teletransporte?

Dando um voltinha pelas minhas comunidades do Orkut, que não são poucas, deparei-me com uma daquelas bobas, que a gente olha por ali e acaba por achar o tema engraçado, sim, uma besteira qualquer que me fez rir por alguns segundos. Ela fala mais ou menos da fuga de situações chatas ou do encontro de quem se deseja em apenas alguns segundos.

Por que não exixte teletransporte?


Pois bem, porque ainda não inventaram esse artifício?
O que viria a ser nem sei ao certo, só sei que de fato, é uma boa idéia.

Não seria tão mais simples? Ninguém ia precisar esperar tempos até chegar uma carta com notícias já passadas e papel sem sentimentos, ninguém ia precisar alimentar empresas telefônicas pra ouvir uma voz precisada, mas não saber ao certo que rosto se esconde atrás daquele "Alô", ninguém precisaria rir e chorar ao mesmo tempo quando toca a música que lembra um momento especial, não íamos mais ansiar por coincidências de status no MSN ou fotos novas pra ver o penteado que amiga achou horrível, mas você tem certeza, está lindo!
Não estaríamos condenados a essa distância que corrói os dias bons e aqueles abraços e afagos já não seríam tão esporádicos.
Não, não existiriam o Atlântico para chegar à França, e uns tantos km daqui até Goiânia ou Parnaíba(se houver necessidade de ir até Parnaíba) ou Brasília, ou mesmo o ato de atravessar a rua, talvez não fosse tão mais meu, em um click de pensamento, estaríamos lá.
Se me julgasse detentora de alguma inteligência sobrenatural, incomum, quem sabe até me atrevesse a criar uma engenhoca que me trouxesse abraços e horas perdidas de conversa jogada fora.
Por enquanto ainda gasto mãos, pés, boca e ouvidos pra alcançar quem amo, mesmo que seja em pequenas parcelas. Só não dá pra dividir o amor, esse fica intacto, independente de qualquer distância. Quanto à saudade? Bom essa é Fênix que renasce das cinzas, porque depois do tchau do telefonema ou da última felicitação das escritas só sobra o vazio. E esse nada preenche senão presença, de corpo e alma.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Fuga



Não sei ainda se foram anos ou dias, fato é que algumas lembranças se perderam em meio à tempestade e não há mais como
recuperá-las.
Abandonou-me o gosto daquela boca ausente, o sentido para o qual eu me dirigia, aquela luz, sempre a luz por onde caminhávamos.
E tudo o que restou foi aquele cheiro acre. Como se nenhuma nuvem doce pudesse voltar a me envolver.
Não sei se foram anos, dias, momentos, lembranças. Sei apenas que se foram. Abandonaram-me assim como se não merecesse suas companhias. Privaram-me do adeus e partiram.

O que era bom já não volta.







Perdida entre o vazio desses dias frios...

sábado, 17 de novembro de 2007

Martini em pequenas doses


Pediu duas doses de Martini ao homem do bar, uma certamente para ela, a outra seria para o lugar vazio do seu lado, no balcão ou no peito, que nesses dois só havia silêncio. Talvez um pouco de Martini descontraísse algum e de alguma maneira milagrosa o vazio se enchesse de alguma coisa.
Decidiu-se por tomar a sua dose antes, antes que o alguém inexistente ao seu redor resolvesse dar o primeiro gole. Ela virou. Virou o copo com vontade e sentiu aquele gosto confortante que tanto a agradava queimar-lhe um pouquinho a garganta e descer leve, com um prazer sem igual, como se nunca tivesse sido tocada por prazeres anteriormente. Roubou a cereja do drink e guardou-a entre os lábios, até que o desejo de degustá-la se tornasse incontrolável. Provou do doce, mas o amargo da ausência de qualquer um não se apagou da sua boca.
Amargurada resolveu não mais esperar por quem não chegaria. Furtou então o copo do desconhecido, pelo qual ela mesma pagara e deixou rolar mais uma vez aquela sensação garganta abaixo. O doce veneno a conformava de alguma forma. Enquanto se desprendia de si, esquecia do mundo lá fora, do belo que não chegou nem chegaria, de quanta vida estava ali perdida num balcão de bar, de quantas doses já haviam rolado, de quanto mais precisaria para apagar tudo, tudo que não tinha vivido.
Decidiu-se por mais uma, antes que a noite findasse. Mas a noite não tinha fim. Perdeu as contas de quantas bebeu naqueles dias em que o sol não nascia e em que tudo era névoa.
Regulou-se em pequenas doses, homeopáticas. Gota a gota deixou de ser. Gota a gota esqueceu de nascer [porque a cada dia se renasce pro mundo]. Prendeu-se só, "naquele" mundo.
Um doce contraste, um triste desfecho.
O estranho nunca chegou, o vazio nunca se encheu. A bebida nunca amargou.
A vida amargou.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

E o vento passa e tudo passa com ele




Enquanto o meu mundo acaba aqui dentro as coisas permanecem as mesmas...
Os ventos continuam a correr lá fora, passar pelas delicadas folhas das mais suntuosas árvores
Levar angústias, solidões...
A vida continua a mesma. Em suma, os dias continuam a passar sem deixar nada. O mundo segue o mesmo trajeto ,talvez com mais algumas catástrofes climáticas e muito mais mortes, ou não... Sempre se morre, e isso pra todo mundo se tornou normal, nada mais choca...
E o vento continua levando tudo, polinizando flores...Consumindo dores...
Só não as minhas. Tempos que o vento não me toca e leva o que há de ruim, lava a alma...
Espero o vento...

Pedi ao vento pra trazer você aqui, pro meu peito...
Pedi ao vento pra trazer você pra mim...


Mas o vento vai levando tudo embora...