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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sobre amores que não passam

As coisas poderiam ter ocorrido de outra forma, podíamos ter brigado menos, nos amado mais, eu podia ter passado por cima de minhas feridas e orgulhos e você podia ter jogado aquela droga de vida fora (acabou sendo assim), e não estou me referindo à vida em si, mas ao que você vinha fazendo dela.
Eu já não sei se conheci o amor e quando penso em você só me sobra um profundo e extremo vazio, vacuidade mesmo, daquela que nem mesmo a boas lembranças conseguem preencher. A saudade me passa longe. Além do vazio ainda tem uma dor, sabe? Uma dor em saber que de alguma forma algo poderia ter sido diferente.
Não sei se isso é lamento.
Não sei dar nome ao que sinto e o que me volta à memória quando penso em você é só essa sensação, podíamos ter feito diferente.
Sinto culpa, desespero, como pude deixar a relação ruir assim dessa forma? De um jeito que não tem volta? Não podemos mais sentar à mesa e jogar na cara um do outro o quanto nos odiamos e amamos, sente a proximidade dos sentimentos? Odeio tantas coisas em ti que não saberia listar, mas ao mesmo tempo te amo, talvez não com tanto afinco como seria se as coisas tivessem dado certo, é amor, só que ele não me desperta tanto quanto o que não agrada, o meu amor por ti não me deixou tantas marcas.
Acho ainda que o que está mais marcado é o fato de eu não ter feito nada para reverter o quadro, simplemente me sentei em frente a ele e aguardei pelo desfecho.
Ainda não tinham me ensinado a pintar.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano novo, vida nova.

É fato que todo ano milhões de coisas mudam, fazemos algumas tantas promessas, brincamos de inventar um futuro mais coerente. Mas mesmo que cada ano durasse mais que 365 (ou 6) dias as coisas mudariam, de qualquer forma.
Essa dita passagem, esse ritual de despedida de um ano para a entrada do outro, esse misticismo que surge próximo ao dia 31 de cada dezembro, isso, esse momento é que faz com que paremos pra pensar no que aconteceu, no que queríamos que acontecese e algumas vezes, de maneira triste, nos faz ver que as coisas poderiam ter sido bem diferentes, que alguns sofrimentos foram desnecessários, que alguns abraços ficaram soltos no pensamento e que podiam ter havido muito mais sorrisos.
Daí surge aquele ímpeto, aquele desejo de mudança, "o ano que vem será melhor"...
E acaba sendo a mesma coisa do anterior, salvo aquelas mudanças de que falei no começo, aquelas que acontecem, acabam acontecendo, não porque é outro ano, mas porque tem que acontecer mesmo.
A verdade é que deveríamos ser movidos por sentimentos de mundança todos os dias, não porque o que já existe não é bom, mas pelo fato de que pedras brutas precisam ser lapidadas e sempre há algo a ser melhorado.
Pelo fato de que a vida deve ser aproveitada mesmo em cada momento, do mais sofisticado ao mais simples, do mais entediante ao mais estimulante. Pelo fato de que cada dia passado é um dia a menos em nossas vidas e que cada instante disperdiçado vai fazer muita falta quando não pudermos mais desfrutar dele.
Então o ano novo está aí, à espera de todas as suas promessas, pronto pra te devorar no primeiro vacilo.
E a melhor aposta é não apostar. Deixar as coisas acontecerem, se deixar levar pelas coisas nobres e felizes que te permeiam, o que te constrói aí dentro.
Siga ao sabor do mar...

sábado, 15 de novembro de 2008

Mais um clichê!

Quem sabe de mim?Talvez minha mãe que vive em mim desde o primeiro momento, do gozo à divisão de células, do crescer da barriga até a dor do parto, do primeiro aos dezoito anos.Talvez meus amigos, que arrancaram de mim sorrisos e confissões, que dividiram comigo as novidades da puberdade, minha menarca, meu primeiro beijo, minhas noites em claro falando besteiras.Talvez nem eu saiba de mim mesma, visto que ainda estou naquela busca do que virei a ser, do que realmente espero, do que realmente quero, hoje prefiro salgado, amanhã quero doce.
Já ouvi de tudo um pouco, já sofri um bocado, acho que amei mais que poderia, até já nem ser amor, já usei roupas das quais jamais usaria, já achei graça de coisas que não são nem um pouco engraçadas, mas o arrependimento nem bate na minha porta.Vale a pena, vale sim. Sempre se tem como aprender.
E no fim de tudo ninguém sabe quem se esconde atrás desse riso frouxo, dessa loucura incontida, dessa alegria sem motivo e dessa tristeza que me abate assim de repente.Ninguém sabe, nem saberá.Sou só eu e mais um emaranhado de coisas tolas e sem sentido, mas sou eu, assim sem descrição, sem rótulos, sem conceitos pré-concebidos, sem paredes pra sonhar, sem limites pra alcançar.
Sou só mais aquela menina.
A menina que amadureceu tão cedo e esqueceu uma parte da infancia por aí.Pode me chamar pra discutir a alma humana ou pra brincar de roda.Estou pronta pros dois.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sabe, hoje de repende acordei e me senti muito velho.
Notei que a vida tinha assim passado quando me vi no espelho e enxerguei aquela funda ruga nos olhos cansados e percebi que aquela sujeira no canto do espelho estava lá já fazia muito tempo.
Eu tinha esquecido que o tempo passa e que as coisas não mudam se não as fazemos mudar.
Um dia me vi no espelho e ainda era jovem, a sujeira era recente na moldura.
Agora estava tudo impregnado: a sujeira, a ruga funda.
Não dava mais pra mudar.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Ainda sim[...] Nem sei mais.

Hoje, depois de muito andar a esmo, retornei à nossa morada, amor. E te senti quase perto, quase em mim.
Algo não muito usual. Já te disse que tinha te perdido em tudo, em todos os lugares e coisas, que tu não estavas aqui, no meu ser, mas por alguns momentos pude sentir. Fui beijada pela mesma textura da tua boca, e todas aquelas cenas voltaram à tona, fui invadida pela antiga onda.
Tive vontade de me afogar naquele mar, embebedar meus pulmões daquela gota seca que foi te amar.
Eu não poderia. Sabe aquele gosto acre amor? De quem não foi quisto? É dele que eu sobrevivo, mas você não saberia como sê-lo. Sempre te quis, desde a primeira ânsia, antes de todo e qualquer sentido. Te quis sem ver, sem ouvir. Eu não tinha provado teu cheiro, teu gosto, teu timbre ainda não tinha me feito tremer como estremecem as entranhas de qualquer caixa sonora. Reverberei. Mas sem nada disso já eras meu.
E quando pude sentir tudo verdadeiro no meu falso mundo é que caí no abismo. Porque nem um pedaço teu que fosse me pertencia. E voltando ali, onde tudo começou e acabou, de certa forma percebi que o que eu tinha amado era um ideal, algo pelo qual eu não podia lutar. Amei o que eu queria que tu fosses. Já te disseram que não se muda ninguém? Eu não conseguiria te moldar.
Sabe aquele meu ideal, amor? Ele permanece, é talvez a única coisa que me faça pensar no amanhã.
Não te amo, amor. E ainda te amo mais que nunca.

sábado, 4 de outubro de 2008

Reticências [...]

Sabe, a proporção que tentamos fugir de alguma coisa é a mesma proporção com que ela nos persegue.
No fim, ninguém se liberta.
Estamos todos presos, contidos e não há nada a fazer a não ser criar outra realidade.
De tudo restam essas opções, aceitar os muros ou fingir que eles estão lá por conveniência. Entender que não podemos, simplesmente não podemos ou pintar tudo de rosa pra parecer mais deglutível.
Viver na mentira é sempre mais fácil, e de tanto pensar que é verdade acaba sendo.
Ainda sinto vontade de gritar tudo aquilo, mas a vacuidade que aqui se instalou não permite que o som se propague.
Melhor ficar calado.

domingo, 24 de agosto de 2008

Segui meu caminho em frente com firmeza, sem virar para trás para olhar o que já tinha vivido. A estrada parece aterrorizante quando não se sabe ao certo onde ela vai dar. Mesmo assim não vacilei, tinha que seguir para algum rumo, qualquer lugar que me levasse embora de onde eu tinha sido.
Nada mais me pertencia, nem os dias que haviam me abadonado, nem os que se seguiriam, éramos só eu e meu corpo limpo, lavado de sensações, minha pequena bolsa de prata, meus pés descalços no meio do tempo e meu pequeno diário desfolhando ao vento, entregando ao mundo tudo o que eu não queria mais, minhas antigas fotos e sorrisos, meus sentimentos mais íntimos, os sonhos que eu tinha escondido permaneceriam sem ser conhecidos. Rasguei cada folha como uma punhalda na alma, fragmentando tudo em papéis perfumados e envelhecidos. Não quis ser mais nada, nem viria a ser. Figura sem nome, andarilho, cidadão do mundo. Pode me chamar de solidão.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

As coisas só mudam de importância

Acho que ultimamente tenho descoberto algumas coisas que por fim parecem só estranhas.
Pode ser que algumas infantilidades tenham me abandonado, que meu mundo esteja rotacionando em outros eixos, mas sempre acaba voltando àquele ponto em que faltava alguma coisa, aquela ação inacabada, aquele último adeus que não foi dado, as coisas que não me permiti dizer por medo.
O que antes era tédio agora é ânsia.
O que era presença eterna é só saudade.
A brincadeira tem se tornado algo sério.
Meus anos de escola agora parecem ter valido muito a pena, até meus passos não dados foram milimetrados ou tem algum sentido nesse momento.
Meu grande amor nunca vai deixar de ser meu grande amor. Podem até haver outros, mas vai ser ele que vai remexer tudo por dentro quando algumas coisas singulares acontecerem. Os outros também o farão com suas singularidades.
Tenho descoberto que as coisas mudam sim, mas permanecem. Ou permanecem sim, mas mudam, nem sei ao certo em que sequência.
Só sei que nunca deixam de ser importantes, como uma chama viva ou como uma lembrança boa.
Continuo apreciando o gosto de alguns venenos e eles a cada momento me parecem mais instigantes.
Cair do abismo já não parece tão doloroso.
Basta bater as asas e voar!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Só mais uma idéia

Estamos sempre a procura daquilo que seria o ideal.
Mas será que isso existe mesmo?


O homem ideal, o amor ideal, a profissão ideal, o emprego ideal, o casamento, os filhos, a casa, o carro, o corte de cabelo, aquele shampoo que faz milagres na propaganda da TV que também é aquela de última geração. Ideal.
Perdemos o fio da meada, o sentido da palavra.
Fato é que isso, essa idéia que queremos comprar só existe mesmo nesse campo. O campo das idéias. E não adianta correr atrás de perfeições, pois simplesmente não há.
Das nossas mais elevadas aspirações só conseguiremos migalhas.

Que tal parar de gastar pensamentos, imaginar como poderia ser e simplesmente fazer, fazer o que alcançamos com as mãos?

Não sou a favor de cessarmos os sonhos, mas porque não tentar também praticar o que é viável e extremamente necessário, válido?

É bom lembrar que o Ideal não é só aquilo que te encha os olhos, sacie tuas mais profundas vontades, cesse teus desejos. Ideal é também o que construímos e pensamos comumente e mesmo que esse sentimento não se concretize, um sonho sonhado junto sempre se abre em milhões de possibilidades.
E quem sabe unidos possamos tranformar o imutável, tornar o inemaginável real.
Parece meio onírico mas não há o impossível diante de uma vontade.

E simplesmente pode-se realizar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Há quem pense no espaço, há quem exija duração.

Achei tão sexy aquele jeito dele sentar com os pés em cima da cadeira, meio de lado, cantarolando Leila Pinheiro e folheando as últimas aventuras em quadrinhos da Magali, que quase fui tomada do mundo.
Aquele garoto estranho, quase que de perfil, aquele lugar de aura clara e o som dos grilos lá fora, mais algumas gargalhadas de uns gringos malucos e suas acompanhantes nativas, junto à minha fome e a vontde de comer, a espera do jantar que não saía, toda essa confusão de sons e cores e luzes amarelas e o friozinho que faz na encosta da chapada, tudo isso e Leila Pinheiro cantando Guinga, dariam um ótimo enredo a um conto qualquer.
O rapaz de regata e calção azul-marinho lendo Magali e cantarolando " Meu catavento temdentro o que há do lado de fora do teu girassol..." . E eu ali, parada, esperando a comida, calada, querendo cantar mais alto que o CD, nada mais, cena construída.
Nem sei se pedi sustenido, nem se ele riu bemol, assim de canto de boca.

"Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho
Mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho..."

Será?!?!? Só pensei...

Tudo se vai no sumidouro do espelho, no espelho, no meio de tudo, se vai... Vai-se!
As cenas também vão.

Essa já foi.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Ela pensou em vender o que tinha de valor [que de fato era pouco] e comprar uma bicicleta com cestinha, pra viajar o mundo sem rumo, uma mochila e olhos bem abertos pra tudo enxergar.
Mas lembrou de como adora o toque da sua cama nas costas e convenhamos, não dá pra levar a cama na garupa da bicicleta. Desistiu.
Pensou em nunca mais lavar o cabelo e deixá-lo crescer até onde não pudesse mais, só que aí, nesse exato momento, lembrou da sensação de leveza que tem a cada enxágue, da água fria escorrendo por todo o corpo quente, lembrou de que a cada corte os fios perecem agradecer dando o máximo de seu brilho, seduzindo com aquela textura singular que só os cabelos cortados têm. Resolveu ir ao cabeleireiro.
Imaginou que seria mais fácil abanonar tudo que havia pensado um dia, seguir pra longe do foco,
encontrar um mundo paralelo onde o que a incomodava mais não existisse...
Triste pensamento, não existe esse lugar. E os incômodos carrega consigo.
Melhor ficar e mudar o mundo, esse aqui que não satisfaz, tirar dele o que há de ruim, toda a falta de amor, toda a falta de cuidado, toda a falta de razão, o excesso de ganância, de sede de vingança.
Melhor permanecer e mudar algo, nem que fosse seu corte de cabelo. Alguma coisa já não estaria como antes.
Algo em si mudaria, que não fosse o mundo pra ela, mas ela pro mundo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Palavras, apenas

Já me fizeram promessas vagas.
Já me prometi esquecê-las por inúmeras vezes, mas elas simplesmente ficam martelando nos meus ouvidos.
É melhor crer no irreal, alguma coisa ainda pode mudar se não temos certeza. Pior é quando temos a certeza de que estamos errados e ainda sim permanecemos crendo no erro.
Nunca te quis mais que agora.
Nunca quis tanto que tudo que tu me tenha dito não passe de mentiras, mentiras passageiras.
Crer no erro me faz cada dia mais presa a qualquer sensação que me remeta a ti.
Mas não posso me libertar, nem quero...
Gravou-se em mim a força de tua palavra.
Tua palavra falsa que me deixa boba a qualquer momento.
Tua mesma boba palavra, a que sai da tua boca e a mim parece mais um emaranhado de sons celestiais.
Tua, só tua.
A palavra que conforta, pacifica.
A palavra que me dá sentido...Acalenta.
A mesma palavra falsa, ilude...
A tua palavra pra mim.
Meu porto e eu sou náufrago...
Naufragado em meio a correntezas de ilusões...
Crendo nas promessas falsas de tuas palavras.
Te amando como nunca, mais que qualquer palavra já criada possa expressar.