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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ano novo, vida nova.

É fato que todo ano milhões de coisas mudam, fazemos algumas tantas promessas, brincamos de inventar um futuro mais coerente. Mas mesmo que cada ano durasse mais que 365 (ou 6) dias as coisas mudariam, de qualquer forma.
Essa dita passagem, esse ritual de despedida de um ano para a entrada do outro, esse misticismo que surge próximo ao dia 31 de cada dezembro, isso, esse momento é que faz com que paremos pra pensar no que aconteceu, no que queríamos que acontecese e algumas vezes, de maneira triste, nos faz ver que as coisas poderiam ter sido bem diferentes, que alguns sofrimentos foram desnecessários, que alguns abraços ficaram soltos no pensamento e que podiam ter havido muito mais sorrisos.
Daí surge aquele ímpeto, aquele desejo de mudança, "o ano que vem será melhor"...
E acaba sendo a mesma coisa do anterior, salvo aquelas mudanças de que falei no começo, aquelas que acontecem, acabam acontecendo, não porque é outro ano, mas porque tem que acontecer mesmo.
A verdade é que deveríamos ser movidos por sentimentos de mundança todos os dias, não porque o que já existe não é bom, mas pelo fato de que pedras brutas precisam ser lapidadas e sempre há algo a ser melhorado.
Pelo fato de que a vida deve ser aproveitada mesmo em cada momento, do mais sofisticado ao mais simples, do mais entediante ao mais estimulante. Pelo fato de que cada dia passado é um dia a menos em nossas vidas e que cada instante disperdiçado vai fazer muita falta quando não pudermos mais desfrutar dele.
Então o ano novo está aí, à espera de todas as suas promessas, pronto pra te devorar no primeiro vacilo.
E a melhor aposta é não apostar. Deixar as coisas acontecerem, se deixar levar pelas coisas nobres e felizes que te permeiam, o que te constrói aí dentro.
Siga ao sabor do mar...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Nada de ventos fortes.



Decidi que tenho medo de amar.

Tenho medo de sentir todas aquelas coisas e frios e calafrios.
Tenho medo de me jogar no abismo e me espatifar no chão, talvez eu não consiga juntar os cacos.
Eu tenho medo, medo mesmo.
Tenho medo de me permitir. Essa sensação de impotência ou de soberania sobre meus sentimentos é que me deixa assim, acoada.
E por saber que só sei lidar com isso de maneira extremista, prefiro não cair nos ventos mornos e doces de um novo grande amor.
Prefiro tentar nem lembrar como se manifesta.
Prefiro recolher minhas vontades e ter uma noite de sono válida.
Não quero mais platonismos.
Não quero mais presença declarada.
Não quero mais partilhar a alma.
Não quero.
Vou passo a passo encontrando uma linha reta que me leve direto ao ponto, ao ponto de não-loucura.
E nessas caminhadas retilíneas vou "rodando" o mundo e recolhendo cada pedacinho do meu interesse. Sem , no entanto, provar algum.
Experienciar nem sempre é a saída.
Por enquanto é melhor calmo e coeso.
Tenho medo do furacão, porque ele me fascina e fascinada estou sem os pés no chão.
Não quero amor. Não quero a tormenta.
Quero só mais um cantinho onde guardar tudo o que vi.
Não sinto.
Por muito tempo espero me manter assim, livre de amar.
Porque a chama viva me amedronta e me entorpece.




E eu quero estar sóbria.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sabe, hoje de repende acordei e me senti muito velho.
Notei que a vida tinha assim passado quando me vi no espelho e enxerguei aquela funda ruga nos olhos cansados e percebi que aquela sujeira no canto do espelho estava lá já fazia muito tempo.
Eu tinha esquecido que o tempo passa e que as coisas não mudam se não as fazemos mudar.
Um dia me vi no espelho e ainda era jovem, a sujeira era recente na moldura.
Agora estava tudo impregnado: a sujeira, a ruga funda.
Não dava mais pra mudar.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Ainda sim[...] Nem sei mais.

Hoje, depois de muito andar a esmo, retornei à nossa morada, amor. E te senti quase perto, quase em mim.
Algo não muito usual. Já te disse que tinha te perdido em tudo, em todos os lugares e coisas, que tu não estavas aqui, no meu ser, mas por alguns momentos pude sentir. Fui beijada pela mesma textura da tua boca, e todas aquelas cenas voltaram à tona, fui invadida pela antiga onda.
Tive vontade de me afogar naquele mar, embebedar meus pulmões daquela gota seca que foi te amar.
Eu não poderia. Sabe aquele gosto acre amor? De quem não foi quisto? É dele que eu sobrevivo, mas você não saberia como sê-lo. Sempre te quis, desde a primeira ânsia, antes de todo e qualquer sentido. Te quis sem ver, sem ouvir. Eu não tinha provado teu cheiro, teu gosto, teu timbre ainda não tinha me feito tremer como estremecem as entranhas de qualquer caixa sonora. Reverberei. Mas sem nada disso já eras meu.
E quando pude sentir tudo verdadeiro no meu falso mundo é que caí no abismo. Porque nem um pedaço teu que fosse me pertencia. E voltando ali, onde tudo começou e acabou, de certa forma percebi que o que eu tinha amado era um ideal, algo pelo qual eu não podia lutar. Amei o que eu queria que tu fosses. Já te disseram que não se muda ninguém? Eu não conseguiria te moldar.
Sabe aquele meu ideal, amor? Ele permanece, é talvez a única coisa que me faça pensar no amanhã.
Não te amo, amor. E ainda te amo mais que nunca.

domingo, 14 de setembro de 2008

Constatações são mais fáceis que sonhos


E o que sobrou de tudo aquilo? Não me terias como antes, por nem mais uma vez.Depois que você resolveu jogar tudo fora por pura indecisão, [eu] decidi que já era, entendeu? Preciso cuidar de mim, preciso que entendas isso. Não podia passar a vida inteira esperando que tu descobrisses se era isso mesmo que tu querias, ficar comigo ou com mais três na outra esquina? Não podia ser só mais uma válvula de escape, não podia mais ser só um momento em que tu fugisses te ti mesmo e do que aquela tua tosca vida havia te tornado. Não podia ser só uma certeza de sexo bom após a ligação. Eu não era só aquilo, teu poço de prazeres.

Era bem mais que isso, era bem mais o que eu queria, não que tu te virasses pro lado e sequer fingisse que tinha sido algo mais que sexo casual, queria que tu olhasses fundo nos meus olhos e enxergasse a minha alma, queria que aquele momento de gozo nos unisse celestialmente. Não era só o meu corpo o que eu te entregava, era eu inteira que estava em teus braços, todos os meus anseios, meus sofrimentos, meus fluidos, prazer, meus sonhos. Era eu como nunca me mostrava pra ninguém, só eu sem nenhuma máscara. Nem assim você pôde notar. Não percebeu enquanto me possuía que eu só podia mesmo ser tua. E a cada momento de não-ver eu já não era a mesma, já não preservava aquela paz que sempre carrego comigo. Pouco a pouco foste me tornando só aquela boneca, mero instrumento do teu prazer e eu não podia mais permitir que esse meu estado de desconsolo se prolongasse. Não podia deixar de ser [no sentido mais literal da coisa].
Então pra não abandonar meu eu, aquilo que ainda me fazia viva, minha essência, tive que deixar minhas obcessões pra trás, tive que abdicar do meu amor, desejo, doença por ti. Não pude mais alimentar meu sonho, meu desejo de que numa dessas noites, de repente tu entendesses que era eu, era eu tudo aquilo pelo qual tu procuravas, era em mim que encontrarias a felicidade, porque não podia ser diferente, nosso êxtase já mostrava tudo isso.
Não pude mais planejar nossas belas viagens, nem as brigas futuras por ciúme bobo. Nossos filhos foram abortados no pensamento e aquela minha imagem de um casal velho e feliz passeando no fim da tarde de domingo ficou por aí perdida. Você não era a minha metade. Não, não seríamos nós naquela foto do convite de Casamento, nem no album de formatura da faculdade do nosso primogênito, não teríamos "Bodas de Ouro", nem de "papel". Sequer assinaríamos um papel.
E eu tive que me contentar com lembranças suadas e ofegantes. Era isso que havíamos sido, suor e respiração falha. Meu imenso amor de um lado, de ti desejo de carne, de pele, de sangue. Não adiantava pensar em mais nada, nem continuar com o que me corroía.
E mesmo que te deixar signifique abandonar pequenos pedaços de mim, deixar pra trás todos os meus planos, arrancar com foice um amor cravado, o que não podia era deixar que me destruísses, assim, dia-a-dia me matando por dentro, consumindo minhas esperanças de felicidade, porque sem ti vai ser muito difícil, mas contigo...
Não "seria".


quarta-feira, 2 de julho de 2008

As coisas só mudam de importância

Acho que ultimamente tenho descoberto algumas coisas que por fim parecem só estranhas.
Pode ser que algumas infantilidades tenham me abandonado, que meu mundo esteja rotacionando em outros eixos, mas sempre acaba voltando àquele ponto em que faltava alguma coisa, aquela ação inacabada, aquele último adeus que não foi dado, as coisas que não me permiti dizer por medo.
O que antes era tédio agora é ânsia.
O que era presença eterna é só saudade.
A brincadeira tem se tornado algo sério.
Meus anos de escola agora parecem ter valido muito a pena, até meus passos não dados foram milimetrados ou tem algum sentido nesse momento.
Meu grande amor nunca vai deixar de ser meu grande amor. Podem até haver outros, mas vai ser ele que vai remexer tudo por dentro quando algumas coisas singulares acontecerem. Os outros também o farão com suas singularidades.
Tenho descoberto que as coisas mudam sim, mas permanecem. Ou permanecem sim, mas mudam, nem sei ao certo em que sequência.
Só sei que nunca deixam de ser importantes, como uma chama viva ou como uma lembrança boa.
Continuo apreciando o gosto de alguns venenos e eles a cada momento me parecem mais instigantes.
Cair do abismo já não parece tão doloroso.
Basta bater as asas e voar!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Só mais uma idéia

Estamos sempre a procura daquilo que seria o ideal.
Mas será que isso existe mesmo?


O homem ideal, o amor ideal, a profissão ideal, o emprego ideal, o casamento, os filhos, a casa, o carro, o corte de cabelo, aquele shampoo que faz milagres na propaganda da TV que também é aquela de última geração. Ideal.
Perdemos o fio da meada, o sentido da palavra.
Fato é que isso, essa idéia que queremos comprar só existe mesmo nesse campo. O campo das idéias. E não adianta correr atrás de perfeições, pois simplesmente não há.
Das nossas mais elevadas aspirações só conseguiremos migalhas.

Que tal parar de gastar pensamentos, imaginar como poderia ser e simplesmente fazer, fazer o que alcançamos com as mãos?

Não sou a favor de cessarmos os sonhos, mas porque não tentar também praticar o que é viável e extremamente necessário, válido?

É bom lembrar que o Ideal não é só aquilo que te encha os olhos, sacie tuas mais profundas vontades, cesse teus desejos. Ideal é também o que construímos e pensamos comumente e mesmo que esse sentimento não se concretize, um sonho sonhado junto sempre se abre em milhões de possibilidades.
E quem sabe unidos possamos tranformar o imutável, tornar o inemaginável real.
Parece meio onírico mas não há o impossível diante de uma vontade.

E simplesmente pode-se realizar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

E o céu preto e branco se abriu em uma fusão de cores
O clarão não a fez enxergar...
O silêncio que tomou conta de tudo dentro, ensurdeceu, emudeceu...
Mas o conforto da cegueira a fez cair dentro da alma
E o desconforto da boca travada a fez acordar
Mostrou a ela a real beleza e o sentido de tudo aquilo

Porque é sem olhos que realmente vemos
Sem ouvidos que escutamos
Sem boca, falamos
Sem alma (ela vagando), sentimos...

É sem amor
É sem o risco de toda falta
É sem a dor que a ausencia carrega consigo
Sem choro nem ai!
Sem riso, sem cor...

É sem sentimento...
(Não!) Vivemos...